| Revista Controle & Instrumentação
Edição nº 95 Agosto de 2004
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Cover Page I
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| Atmosferas explosivas é
assunto "quente" |
| Rüdiger Röpke: "Proteção
normalmente se baseiam em várias tecnologias".
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É consenso entre os especialistas que a primeira averiguação
sobre o risco de formação de atmosferas explosivas
é se existe a possibilidade de evitar sua formação,
o que quer dizer: analisar a real necessidade da utilização
de um produto inflamável e, se possível, substituí-lo
por outro que não forme uma atmosfera potencialmente explosiva
(ponto de fulgor maior do que a temperatura ambiente ou de processamento).
Também deve ser analisada a possibilidade de inertizar
(baixar o nível de oxigênio). Óbvio que não
se pode fazer isso em ambientes com permanência de pessoas,
mas dentro dos equipamentos de processamento, esta medida muitas
vezes é viável, completa o coordenador da Comissão
de Automação da Abiquim, Rudiger Hopke.
Se não se pode evitar a criação de uma atmosfera
explosiva, pode-se eliminar fontes de ignição. Quando
o perigo é a parte elétrica, aplicam-se equipamentos
elétricos que atendam as especificações de
um ou mais tipos de proteção normalizada. Segundo
o engenheiro Rudiger Ropke, as proteções normalizadas
se baseiam em várias tecnologias que vão da eliminação
da atmosfera potencialmente explosiva no equipamento (como a pressurização
ou diluição contínua), passando pela limitação
de energia a valores incapazes de incendiar uma atmosfera potencialmente
explosiva (segurança intrínseca) e medidas construtivas
que impedem o aparecimento de fontes de ignição (segurança
aumentada e Não acendível, somente para a Zona 2)
até o encapsulamento seguro das prováveis fontes de
ignição (Encapsulamento em resina e Invólucros
a prova de explosão).
Mas, cada tipo de proteção tem sua razão de
ser e a escolha do tipo certo depende do equipamento elétrico,
e das tecnologias disponíveis. A instrumentação
pneumática por exemplo, muito usada antigamente, tem a vantagem
de não ser fonte de ignição na área
classificada e uma purga contínua do equipamento (fluxo de
ar do sistema pico/palheta), que diminui bastante o ataque da corrosão
nos ambientes da indústria química.
Para Estellito Rangel Junior, representante brasileiro no TC 31
International Electrotechnical Commission IEC, um dos grandes
fatores para o desuso dessa tecnologia são os custos que
mostram-se mais elevados hoje, envolvendo a necessidade de uma rede
de ar comprimido, gastos com energia e manutenção
do compressor, etc. Não se deve descartar o fato de que a
instrumentação com proteção EX e grau
de proteção adequado substitui, com vantagens, a pneumática.
Não creio que alguém vá, hoje em dia,
tomar uma decisão a favor da instrumentação
pneumática por causa da classificação da área,
comenta Rüdiger Röpke, para quem o crescimento do mercado
para barreiras de segurança intrínseca não
tem ligação direta com pressões ambientais
e de segurança. O crescimento se baseia, sob meu ponto
de vista, no próprio aumento do grau da automatização
das instalações.
Estudos recentes mostram que o mercado de barreiras de segurança
intrínseca deve crescer em torno de 40%, até 2006.
Para o engenheiro Augusto Pereira, diretor de Marketing da Yokogawa
e professor da ISA 4º Distrito, esse número pode ser
ainda maior devido as crescentes pressões ambientais e normas
obrigatórias sobre segurança. Além disso, os
custos envolvidos com o uso das barreiras são muito reduzidos
se comparados com as instalações a prova de explosão.
Para Estellito, as barreiras são uma aplicação
crescente, especialmente quando se trata de sistemas automatizados
(PLC, etc.). Não saberia opinar quanto ao percentual
de crescimento do mercado em geral mas estaria em compasso com a
previsão dos investimentos industriais no país,
afirma.
Muitas novidades se colocaram na base tecnológica para o
setor, como os semicondutores, que permitem aumentar os níveis
de energia nas áreas classificadas; a calibração/monitoração
on line; a progressiva harmonização de normas, certificação
de operadores e novas certificações de equipamento.
E o avanço da tecnologia não pára. Isso vale
também para a segurança intrínseca. Rudiger
Ropke informa, também, que já foram realizados alguns
estudos com sistemas utilizando sinais em ca com freqüência
acima da industrial (50 ou 60 Hz) justamente para permitir potências
maiores no circuito e, por outro lado, assistimos uma diminuição
da necessidade de energia por equipamento.
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| Augusto Pereira: "Mercado de barreiras
de segurança intr;isica deve crescer". |
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Para Estellito, não se pode falar em suporte
ao setor de maneira geral porque, de fato, no sentido de aumentar
as vendas de sistemas de segurança intrínseca, novas
tecnologias como FISCO - fieldbus intrinsicamente seguro, realmente
possibilitaram operar sistemas que exigiam maior corrente elétrica,
mas não se pôde aumentar os níveis de energia
em áreas classificadas, por exemplo. Aumenta-se a corrente,
mas o valor eficaz da tensão é diminuído, de
forma a não aumentar a energia na área classificada.
O exemplo de Estellito remete a duas vertentes tecnológicas
para áreas classificadas que chamam a atenção
(FISCO Fieldbus for Intrinsic Safety Concept e FNICO
Fieldbus Nonincendive Concept) porque simplificam o uso do fieldbus
em áreas classificadas, ainda que para ele, esses novos e válidos
conceitos tecnológicos não simplificam,
apenas abrem um leque de opções maior já que
o FNICO só se usa em Zona 2 e possui custo mais baixo.
FISCO e FNICO são tecnologias semelhantes que buscam limitar
a energia dos barramentos de campo, com a redução do
número de participantes na rede acentuadamente no FISCO.
Uma grande vantagem da segurança intrínseca (manusear
o circuito, sem a necessidade de desligá-lo) não é
tão importante para a tecnologia do barramento do campo; as
intervenções nos equipamentos inteligentes geralmente
são feitas a partir de uma área não classificada,
via comunicação digital e não necessitam abrir
o circuito no campo. Então, é plenamente viável
a utilização da tecnologia Ex d/Ex e neste
caso não havendo restrição no número dos
participantes da rede.
Para o coordenador da Comissão de Automação da
Abiquim, o Fieldbus será mesmo um Bus e não
um Fieldvan com somente de 6 a 8 passageiros e, em caso
de troca do equipamento, esta troca pode ser feita a quente. Também
já é possível a troca de equipamentos sem a necessidade
da permissão de trabalho a quente, apenas utilizando conectores
(plugue e tomadas) com tipo de proteção Ex d para cabos
de rede. São muitas as possibilidades, mas todas devem conduzir
para a segurança máxima. |
| Unicamp oferece especialização
inédita em Atmosferas Explosivas |
A Faculdade de Engenharia Química da
Unicamp, através da sua secretaria de extensão,
oferece o curso Classificação de Instalações
Elétricas em Atmosferas Potencialmente Explosivas. Trata-se
de uma especialização inédita, composta
por doze disciplinas que enfocam diversos aspectos relacionados
ao tema.
Face ao forte relacionamento da atividade com a segurança
industrial, muitas empresas de processo de grande porte, principalmente
na área de petróleo, estão exigindo qualificação
do pessoal contratado, o que nesse caso é uma exigência
difícil de ser cumprida, pois o Brasil não dispõe
de centros de treinamento especializados nessa matéria.
Nesse contexto, a professora Lucia Helena Innocentini Mei, responsável
pelo curso, diz que o objetivo principal dessa especialização
é formar uma capacitação técnica,
na área, baseada em práticas adotadas internacionalmente,
suprindo o mercado com profissionais especializados.
O assunto instalações elétricas em
atmosferas potencialmente explosivas não parte dos currículos
das escolas técnicas, escolas de engenharia, ou afins.
De acordo com nossa legislação, quando os profissionais
de eletricidade e eletrônica se formam, os mesmos estão
aptos a exercer suas atividades de eletricidade ou de eletrônica,
independentemente se o ambiente é potencialmente explosivo
ou não. Pode-se dizer que o profissional, nesse caso,
é habilitado mas não é qualificado,
analisa Dácio de Miranda Jordão, especialista
na área e um dos docentes do curso. Ele ressalta ainda
que uma Comissão designada pelo Ministério do
Trabalho e Emprego aprovou o texto final da Norma Regulamentadora,
que menciona a necessidade de que as atividades em atmosferas
explosivas sejam precedidas de treinamento respectivo.
Segundo Dacio, é de fundamental importância a criação
de cursos sobre instalações elétricas em
atmosferas potencialmente explosivas, antecipando à futura
demanda e obrigação legal, apoiada por Lei, de
Profissionais competentes neste campo.
O Engenheiro Paulo Odilon, do quadro de docentes do curso, diz
que este é dirigido, principalmente, para os profissionais
de engenharia elétrica, eletrônica, segurança
industrial, química, mecânica e mecatrônica.
O curso é oferecido em outras localidades com o mesmo
corpo docente, sempre sob orientação e certificação
da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp. Mais informações
pelo fone: (19) 3788-3935. |
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