| Revista Controle & Instrumentação
Edição nº 86 Novembro de 2003
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Cover Page
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Realcafé cede às exigências
da globalização:
automatizar é preciso |
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Ter uma empresa preparada para enfrentar a concorrência não
é fácil. Quando se fala em preparada tecnologicamente,
o assunto torna-se mais complicado ainda. As indústrias
brasileiras estão passando por um choque tecnológico.
É uma realidade. Ou elas se automatizam e entram num alto
nível de automação para competir em um mercado
globalizado o que significa efetuar altos investimentos ,
ou vão morrer, ressalta o vice-presidente executivo
da Realcafé, Raimundo de Paula Soares Filho.
Para não morrer neste mercado globalizado, em
dezembro de 2001, a Realcafé - tradicional empresa produtora
de café solúvel localizada no Espírito Santo,
que até então mantinha uma produção
100% manual - decidiu dar um importante passo rumo à modernização:
iniciou a implantação do programa de automação
de sua fábrica.
Depois de fazer um levantamento sobre as mais recentes tecnologias,
qualidade, custos, ganhos, entre outros quesitos, a empresa - que
exporta 98% de sua produção - fechou um acordo com
a Emerson Process Management para a automação de toda
a planta. Pedi à Emerson que colocasse no papel o custo
do projeto, o preço da automação inteira da
planta, que levaria cerca de dois anos para estar completa.
Desta forma, consegui ter um planejamento do investimento no longo
prazo, destaca Raimundo.
A Realcafé fez um investimento global de ampliação,
automação e modernização correspondente
a US$ 8 milhões. O mais interessante para nós,
foi que a Emerson se dispôs a nos transferir todo o know-how
da integração. Este foi um fator de economia importantíssimo
porque, com ele, consegui reduzir significativamente os investimentos
originalmente propostos, destaca Raimundo.
O receio, segundo ele, era de que a empresa ficasse num nível
de tecnologia que não permitisse a competição
com determinados países que estão em fim de implantação
de novas tecnologias, como China, Indonésia e Vietnã.
Hoje, posso afirmar que tenho uma fábrica altamente
competitiva - tecnologicamente falando. Em termos de escala, por
exemplo, de agosto pra cá, nós dobramos a capacidade
de produção e reduzimos o número de funcionários.
O marketing foi outro fator de grande influência nas decisões
referentes aos investimentos em novas tecnologias. Raimundo comparou
a planta da Realcafé a um restaurante. Se você
vê, através de um painel de vidro, uma cozinha caindo
aos pedaços e em péssimas condições,
pode oferecer a melhor comida do mundo mas você não
vai comer. Uma fábrica de alimentos é como a cozinha
de um restaurante e nós estamos investindo para melhorar
cada vez mais. O resultado é tão positivo que, de
janeiro pra cá, o potencial cliente que colocou o pé
na fábrica, fez algum negócio conosco, enfatiza
Raimundo.
Atualmente, a Realcafé possui cerca de 120 funcionários
(sem contar a parte de torrado e moído, considerando que
são duas fábricas separadas) para produzir cerca de
12 mil toneladas/ano de café solúvel spray-dried e
aglomerado. Há cerca de 12 anos, a fábrica possuía
440 funcionários para produzir 3.500 toneladas/ano.
Há clientes que desistiram de projetos de ampliação
de suas fábricas para comprar o nosso produto, diz.
O projeto de automação da Realcafé começou
a ser implantado com o Caféduto, na linha de processo. Ele
possui 150 metros e leva cerca de 17 toneladas de café verde
por hora, dos armazéns da Triscafé - empresa do mesmo
grupo - até os torradores.
Como a fábrica está localizada da montanha para baixo,
o próprio processo vem caminhando de cima para baixo. A
automação começou pelo café verde e
foi descendo.
Hoje o processo continua, mas, 95% da fábrica já está
automatizada. Falta basicamente a automatização
de parte das linhas de extração e da planta de torrado
e moído. Queremos integrar tudo ao sistema gerencial de controle
ERP, toda a parte de rastreabilidade, automação de
lotes de processo, e outros. Temos uma série de informações
adicionais que precisam ser organizadas, como na parte de controle
de estoques, que já estamos concluindo, onde o produto já
sai do sistema de pesagem, recebe uma etiqueta com um código
de barras e passa pela leitora. Tudo integrado ao sistema ERP,
explica. O objetivo, de acordo com o vice-presidente, é estar
com a fábrica 100% automatizada no primeiro semestre de 2004.
A Realcafé possui duas linhas de produção totalmente
independentes, o que permite a produção de produtos
diferentes em cada uma. A linha de tanques nº 1 está
no quarto andar, o que permite que boa parte da transferência
de extrato entre os tanques seja feita por gravidade. Já
a linha de tanques nº 2, localizada no segundo andar, é
mais moderna e nela a transferência é feita por meio
de um sistema de bombeamento.
Em toda a planta você pode fazer mais de um tipo de
café em tempos diferentes.
Tudo depende do PCP (Planejamento de Controle da Produção),
e de como os pedidos de compra são colocados, diz Raimundo.
O vice-presidente explica que existe uma seqüência planejada
de produção. Para mudar determinado padrão,
basta clicar no computador que serão gerados os dados necessários
para produzir determinada receita de café solúvel.
Está tudo dentro de um banco de dados. Os pedidos de
produção são feitos por intermédio do
Departamento de Vendas, e desta forma é montada a seqüência
de entrega, que gera o PCP, enviado para a sala de controle, que
finalmente segue a ordem solicitada. A empresa produz somente o
que já está vendido; seus produtos são feitos
sob encomenda, em receitas específicas para cada cliente.
Padronização: a escolha dos medidores
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| Medidores Coriolis estão em diversas
áreas da fábrica. Única canexão
ao processo reduz de montagem e instalação |
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Uma outra decisão importante na automação da
Realcafé foi a escolha dos tipos de medidores a serem utilizados.
Os medidores Coriolis, fabricados por uma das divisões da Emerson
Process Management, a Micro Motion, foram os escolhidos. Atualmente
a Realcafé possui cerca de 800 válvulas, 300 motores
e, só na automação das linhas de extração,
cerca de 250 válvulas. Em toda a fábrica estão
instalados 12 medidores Coriolis, além de outros medidores
de vazão e temperatura.
Segundo o diretor comercial da Insaut - empresa representante e integradora
da Emerson, responsável pela automação na Realcafé-,
João Leonardo Lima, o Coriolis tem uma grande vantagem: a de
ser um medidor multivariável. Com um único instrumento,
com uma única conexão ao processo, você reduz
custo de montagem - porque você só tem um equipamento
-, e reduz custo de instalação. Juntando o Coriolis
ao Fieldbus Foundation consegue-se trafegar mais de uma váriavel.
E ainda com o Delta V, consegue-se requisitar estes dados e processá-los,
diz.
Os medidores Coriolis estão em várias áreas da
fábrica. Como a medição de brix é muito
importante neste tipo de processo, o café é trabalhado
em cada uma destas etapas com um medidor. Temos o exemplo do
concentrador, que demorava cerca de uma hora ou mais para entrar em
linha na qualidade padrão e, hoje, demora cerca de 15 minutos",
diz Raimundo. Segundo ele, a correção do ajuste da malha,
que hoje é feita a cada um segundo pelo computador, antes era
feita pelo operador de hora em hora. O medidor Coriolis permite
justamente que se faça a medição da densidade,
que é o brix, do extrato concentrado na saída do concentrador.
É no concentrador que se evapora a água para aumentar
a concentração do café para que, em seguida,
ele possa ser levado para a torre de secagem. Antes da automação,
o concentrador demorava cerca de uma hora para entrar em linha com
sete mil litros de vazão; hoje, leva 15 minutos com 13 mil
litros. Para a Realcafé isso se traduziu em ganhos de produção
e tempo.
O Coriolis também manda um comando para a válvula de
vapor abrir ou fechar e manter um grau de evaporação
dentro do concentrador. Ele mede a vazão do equipamento para
controlar o brix. Esta é uma das áreas mais complicadas
porque qualquer variação que se tenha na entrada, só
afeta a densidade de saída cerca de sete minutos depois. Trata-se,
na verdade, de um prédio muito grande onde as coisas vão
acontecendo com o tempo. Você pode mexer em alguma coisa, mas
só vê o resultado sete minutos depois, diz o gerente
de informática da Realcafé, Artur Macedo Jacobina, um
dos responsáveis pela automação da empresa. Quando
a fábrica era toda manual, este era um processo muito mais
difícil de ser feito, era complicado encontrar o acerto.
Além do brix, a Realcafé precisava medir outras variáveis
como fluxo e temperatura ao mesmo tempo. A gente tem que ter
a medição dupla porque, variando a temperatura, muda-se
a densidade. É claro que dá pra fazer com outro medidor,
mas seria preciso mais de um medidor para as três variáveis.
Na Realcafé utilizamos a tecnologia Fieldbus, por isso conseguimos
medir as três de uma só vez. Se fosse um 4-20 mA teria
que ser uma variável só, ou seria preciso ter mais de
uma porta", diz Artur.
No evaporador de aromas existe outro Coriolis com função
dupla: manter a vazão constante através de sua leitura,
e passar a densidade para a malha de controle de saída de aroma.
Você injeta mais ou menos vapor dependendo da quantidade
de sólidos solúveis que tem no café que está
entrando, para poder tirar a quantidade exata de aroma. Esse cálculo
de quanto de aroma tem que ser tirado, depende principalmente da densidade
do café que está entrando, medido pelo Coriolis,
ressalta.
O Coriolis também é usado no tanque de mistura para
fazer a dosagem da quantidade de cada um dos produtos. O operador
digita o produto, o programa monta a receita e faz a mistura do aroma,
do split e do extrato concentrado. Tudo isso é feito com a
utilização do Coriolis para fazer o cálculo da
vazão máxima e a verificação, no final
da mistura, do brix - se ele está adequado para este tipo de
produto.
Em outra fase da produção, o café já torrado
é colocado nos silos dos extratores. Para que o café
torrado se desmanche e seja retirado o extrato de café, água
quente sob pressão é injetada dentro dos extratores.
A parte insolúvel do café vira uma espécie de
borra e segue para a caldeira para ser queimada. A parte do extrato
que contém os sólidos solúveis, segue no processo.
Nesta etapa, o Coriolis mede a quantidade de extrato de café
que está sendo retirada de cada extrator, além da sua
temperatura e concentração. São quatro Coriolis,
dois para cada linha.
O Coriolis do pasteurizador faz o controle da malha de temperatura
do resfriamento do extrato e o controle da vazão da bomba de
entrada. Ele também verifica o brix do extrato que está
saindo do pasteurizador para verificar se ele já está
na hora de ser injetado na torre de secagem. Existe ainda outro Coriolis
na caldeira, que também é totalmente automatizada. Ela
produz 12 toneladas de vapor por hora, e metade de sua energia é
gerada pela queima de borra de café.
Os medidores Coriolis instalados atualmente na Realcafe possuem diâmetros
de 1 e 2; mas a padronização
é também uma estratégia de reposição.
Se utilizarmos diversos tamanhos, teríamos que ter vários
medidores reserva, ressalta Raimundo. Segundo ele, a empresa
ainda pensa na possibilidade de trocar o medidor de 2 polegadas pelo
de 1. Compensa mais eu padronizar todos como de 1 polegada e
ter um ou dois reservas para qualquer emergência. Estamos tentando
ao máximo padronizar toda a planta, de válvulas a inversores,
sensores de posição, nível, entre outros.
Com a padronização, a empresa passa a diminuir o número
de peças de reposição, facilita a manutenção,
trabalha com um número menor de equipamentos diferentes e conseqüentemente
diminui as preocupações.
A padronização (diâmetro) dos medidores só
foi possível, segundo Lima, da Insaut, por causa da precisão
e da alta rangeabilidade dos medidores, que se não fosse boa,
teria que utilizar diâmetros menores para vazões menores,
e diâmetros maiores para vazões maiores.
Segundo Lima, devido a precisão e alta rangeabilidade dos medidores
Coriolis da Micro Motion foi possível padronizar , configurando
cada medidor de acordo com a faixa de trabalho em função
da necessidade da aplicação sem comprometimento da precisão
requerida pelo processo: Assim, há uma redução
no custo de estoque utilizando-se apenas um só tipo",
conta. O Coriolis tem ainda um MTBF altíssimo, sendo um equipamento
robusto, com vida útil muito longa.
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| A implantação de uma arquitetura
integrada
|
Enquanto muitas empresas se preparam para investir na modernização
de suas plantas, já automatizadas há alguns anos, planejar
a automação de uma fábrica 100% manual em pleno
ano 2000 é algo raro. Pude escolher e quis colocar a
fábrica toda num sistema único. E isso é bem
raro, porque normalmente as empresas brasileiras já têm
- em parte algum tipo de automação, diz
o vice-presidente da Realcafé. Quando uma empresa quer
atualizar seu sistema de automação já existente,
fica mais difícil uma mudança radical porque, muitas
vezes, teria que jogar fora um sistema que bem ou mal está
funcionando e partir para outro. Mas, a nossa decisão foi mais
simples: vamos escolher um único sistema, que tenha capacidade
para suprir todas as necessidades da fábrica. Este foi o primeiro
ponto.
Por ser uma indústria muito segmentada em termos de processo,
com várias etapas e com determinadas exigências quanto
ao controle de cada uma delas, a equipe responsável pelo projeto
verificou a necessidade de se instalar uma sala de controle. Se
produzimos mais de 50 tipos de produtos, para cada um deles e para
cada etapa do processo utilizamos diferentes combinações
de parâmetros de produção. Hoje, basicamente,
o operador digita o código do produto e pronto, a receita já
está lá dentro, ressalta Raimundo.
Depois de muito enxugar todos os processos, a Realcafé deverá
ter cerca de 35 telas diferentes para o controle da fábrica.
Nossas telas estão lotadas de informações.
A sala de controle da Realcafé, responsável por todo
o acompanhamento e controle da planta, possui atualmente três
operadores e um supervisor full time. Com quatro microcomputadores,
sendo um deles utilizado como estação de engenharia
e para calibração de instrumentos e programação
(montagem de telas, configuração de inversores e válvulas,
entre outros). Os outros computadores são utilizados pelos
próprios operadores para manter o controle do processo de produção
da fábrica.
Com o projeto de automação das linhas de extração
- o próximo passo da modernização - o objetivo
era ter um quarto operador, mas, a empresa optou por deixar um ou
dois operadores dentro da planta. O sistema de extração
é um sistema de vasos de pressão, e é nosso objetivo
unificar todas as IHMs neste setor, o que nos permitirá ter
um quarto operador dentro da fábrica e não na sala de
controle . Atualmente, os funcionários que estão
na planta utilizam rádio com duas freqüências separadas,
uma para manutenção e outra para operação,
para se comunicarem com os operadores na sala de controle.
Em 2001 a Realcafé tinha um nível de produção
sub-standard da ordem de 15%. Em 2002 este número caiu para
8%, e em 2003 para 5%. Nos últimos seis meses, o volume de
reprocesso está abaixo de 1%.
Quando iniciamos o trabalho na Realcafé, fizemos uma
pré-engenharia, e foi nela que definimos alguns conceitos,
como os tipos de medidores e quais tipos de protocolos de comunicação
estaríamos utilizando para instrumentação e controle
de processo. Além do que seriam utilizados para a parte de
drives e CCM inteligentes, e parte elétrica, esse trabalho
foi feito a quatro mãos (Realcafe/Emerson-Insaut) sob a coordenação
do Engenheiro Isaias Dal Piaz gerente de Manutenção
e Novos Projetos da Realcafe, lembra Leonardo Lima.
A Insaut/Emerson, fez um estudo e ponderou os benefícios que
seriam obtidos com uma instrumentação inteligente e
com um protocolo de comunicação digital associado ao
Delta V - sistema de controle. Inicialmente, a Realcafé fez
uma comparação entre uma arquitetura com PLC mais uma
instrumentação convencional e a arquitetura PlantWeb,
da Emerson. A arquitetura PlantWeb, se considerarmos todos os
custos envolvidos: engenharia, comissionamento, partida da planta,
custo com hardware, softwares, entre outros como operação
e manutenção da planta, sai mais barata e a empresa
ainda consegue recuperar o investimento através de redução
de variabilidade de processo e melhoria continua da qualidade. O que
acontece é que o investimento inicial é um pouco maior,
diz Leonardo Lima.
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| Tela do Torrador 1 disponível na
sala de controle
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Foi realizando estas comparações que a Realcafé
resolveu montar uma arquitetura PlantWeb. Com o Delta V a Realcafé
teve várias opções e foi na pré-engenharia
que ela decidiu quais seriam as adotadas, desde o nível de
tensão de um dispositivo, até a funcionalidade dele,
e como que ele iria estar interligado ao sistema de controle,
conta. Aos poucos, a Realcafé foi dando forma à sua
modernização e seqüência às demais
etapas.
Leonardo Lima explica que o PlantWeb oferece o gerenciamento da instrumentação,
do ativo que está ligado a ele, e inclusive, o próprio
gerenciamento de processo. Através do diagnóstico por
inferência, por exemplo, é possível ter um diagnóstico
do medidor e identificar o que está causando o problema ao
processo. É uma automação em que você
também gerencia a planta. Essa é a grande diferença
de se ter uma modernização convencional ou ter uma dentro
de uma arquitetura PlantWeb, ressalta.
Um sistema de controle convencional não permite que seja feito
um gerenciamento da planta. Trata-se de um sistema de controle onde
não se tem acesso a mais de uma variável, por exemplo,
de um instrumento. Como já citado, seria preciso ter um instrumento
para cada variável, ou seja, passar um fio para cada um, desempenhar
mais serviços de engenharia e trabalho de montagem.
Normalmente nos sistemas convencionais existe o computador,
que seria o sistema supervisório, ou seja, uma base de dados
que você configura. Existe ainda um controlador de processo
que você também precisa configurar, e depois é
preciso estar mapeando tudo de um para o outro. O sistema convencional
não consegue capturar a inteligência do campo disponível
num instrumento, bem como o sistema de controle - o cartão
que está lendo este instrumento - também não
é inteligente o suficiente com capacidade de enxergar as informações
disponíveis no instrumento. A grande diferença é
que, com o PlantWeb, você consegue capturar a inteligência
do campo, diz o integrador.
O PlantWeb permite que se distribua a inteligência e que se
capture a mesma no sistema de controle. Em sistemas convencionais
isso não é possível. É preciso mudar a
faixa do instrumento e, para isso, o usuário tem que ir até
lá com um programador de mão. Como também para
ver um diagnóstico, é preciso ir até o instrumento
e acessá-lo. Isso não está on line. Na hora de
escolher o protocolo, a empresa definiu que o mais adequado era o
Foundation Fieldbus, porque permite que se tenha o controle no campo
e capturar todos os diagnósticos da instrumentação.
Para a parte de drives, inversores, relés inteligentes e algumas
válvulas on/off foi definido o Devicenet. No total, a Realcafé
utiliza cinco protocolos: o Fieldbus Foundation e HART para instrumentação;
Devicenet para inversores e relés; Ethernet e Modbus para comunicação
com outros sistemas. A empresa possui ainda alguns equipamentos que
utilizam o 4 - 20 A + HART e o ControlNet numa rede separada. O
mais importante é que o Delta V, que é um sistema de
controle, permite a utilização de todos esses protocolos,
diz Lima.
O sistema implantado pela Emerson também faz um autodiagnóstico
dos equipamentos, desde válvulas até medidores, ligados
ao sistema através do Fieldbus.
O Plantweb possui um alarme de diagnósticos/falhas, chamado
Device Alert que avisa com antecedência se algum equipamento
vai apresentar algum problema isso acontece por meio de um
aviso na tela do operador, que indica o tipo de falha de sinal no
transmissor. Todos os alarmes e operações feitas pelos
operadores ficam registrados no computador e é possível
saber quem fez, quando e porque.
Antes da modernização, a fábrica da Realcafé
parava cerca de 30 a 40 dias por ano. No último ano ela tem
parado cerca de 5 dias a cada 4 meses, para realizar manutenção
preventiva e para fazer o hidrojateamento de alguns setores da fábrica.
O processo na Realcafé é muito dinâmico.
A parte mais forte da modernização vai estar concluída
no próximo ano, mas há sempre a necessidade de se fazer
uma melhoria ou outra. É um trabalho contínuo. O mais
importante é que o sistema que a Emerson implementou permite
a monitoração, minuto a minuto do processo, conclui
Raimundo.
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