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Revista Controle & Instrumentação – Edição nº 296 – 2025



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A inovação tecnológica como motor de transformação na
INDÚSTRIA DE ALIMENTOS E BEBIDAS
 
 
 
 
O setor de A&B no Brasil representa cerca de 10% do PIB industrial e empregando mais de 1,6 milhão de pessoas diretamente, conforme dados da Abia - Associação Brasileira da Indústria de Alimentos, com um faturamento que alcançou R$ 1,2 trilhão em 2023. Segundo a Market Data Forecast de 2024, o mercado brasileiro de Food Tech deve alcançar US$ 11,70 bilhões em 2030 – um crescimento que reflete o aumento na demanda por automação, rastreabilidade, eficiência operacional e sustentabilidade na cadeia de produção.

A revolução digital vem transformando o setor industrial como um todo. No Brasil, a indústria de alimentos e bebidas (A&B) emerge como um dos segmentos mais propícios à adoção de tecnologias da Indústria 4.0 como Digital Twins, Machine Learning (ML), Internet das Coisas (IoT), Robótica Colaborativa, Computação em Nuvem e Inteligência Artificial (IA).

Essas tecnologias encontram muito espaço na indústria de A&B como na rastreabilidade - monitoramento completo do ciclo de vida do produto; na simulação de processos para antecipação de falhas e ajustes de parâmetros; na qualidade e conformidade para comparação de padrões em tempo real com normas da ANVISA- Agência Nacional de Vigilância Sanitária e MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no Brasil e outras tantas normas para produtos que são exportados; e na sustentabilidade do meio ambiente e do negócio, com otimização do consumo de água, energia e matéria-prima e seguimentos de normas ambientais.

A aplicação de Machine Learning e Inteligência Artificial no setor de A&B já tem ampla utilização na análise de dados operacionais para previsão de falhas usando modelos preditivos que detectam anomalias em equipamentos; otimização de formulações para identificar combinações ideais e garantir quantidades de ingredientes; análise de séries temporais para monitoramento de KPIs e antecipação de variações de demanda; e visão computacional na inspeção de qualidade em linhas de produção.

Sem nunca esquecer que o sensoriamento é a base dessa pirâmide inteligente, é o que sustenta a coleta de dados na Indústria 4.0. Porque, para sustentar a digitalização de qualquer processo, é necessário um ecossistema com Redes Industriais, plataformas de integração, computação em nuvem, governança de dados, cybersegurança, etc. E para aumentar a produção e segurança, o uso da robótica que vai além das linhas tradicionais também vem sendo usada com implantação de robôs colaborativos (Cobots) que operam junto a humanos em tarefas repetitivas, AGVs (Automated Guided Vehicles) automatizando a logística interna e mesmo manipuladores robóticos para envase, paletização e inspeção. E aqui, os dados da IFR - International Federation of Robotics indicam que a adoção de robôs cresceu 23% ao ano na América Latina desde 2020, com destaque para a indústria alimentícia.
 
Empresas como Ambev, Nestlé e BRF já utilizam arquitetura em nuvem integrada a sistemas de supervisão e controle para possibilitar a escalabilidade e centralização de dados operacionais, facilitando o armazenamento seguro em data lakes, o processamento de lotes (batch) e em tempo real (streaming), o uso de painéis de tempo real (dashboards, BI) e o treinamento e inferência de modelos de IA – a Ambev usa IA para prever demanda e otimizar logística; a BRF aplica sensores IoT em toda a cadeia frigorífica; a JBS utiliza Digital Twins e blockchain para rastreabilidade de carnes...

E os benefícios da Indústria 4.0 aumentam com a maturidade digital, incluindo redução de falhas de até 40% com manutenção preditiva; economia de recursos de até 30% de energia; maior eficiência, conformidade e rastreabilidade.

Um modelo de maturidade digital bem aceito é o proposto pelo SENAI/CNI que divide a evolução da digitalização em cinco estágios: Conectividade, Integração, Análise, Autonomia e Inteligência. Nesse caminho, são reconhecidos alguns desafios como a integração de sistemas – com especial atenção aos sistemas legados -, o envolvimento de todos para que a cultura organizacional inclua o conceito de empresa voltada a dados. O investimento inicial pode ser elevado para pequenas empresas, ainda que seja um processo escalável e a capacitação de pessoal voltado a dados também é um desafio. Para ajudar a lidar com esses – e outros desafios - o programa Nova Indústria Brasil (2024-2033) prevê a digitalização de 90% das indústrias brasileiras, com foco em sustentabilidade, inovação e integração digital.
 
 
Dados saídos do forno
 
A Inteligência Artificial vem aparecendo de forma crescente em todos os debates da indústria, principalmente como resposta a desafios estruturais, como a escassez de mão de obra qualificada, a busca por eficiência operacional e a necessidade de maior competitividade.
 
Marina Cappi, gerente da Fispal Tecnologia, conta que a sua equipe notou isso e, como busca estar sempre à frente das transformações do setor de alimentos e bebidas, acompanhando de perto as demandas do mercado e antecipando tendências, entendeu que era preciso saber mais sobre como o setor enxerga e aplica a IA no dia a dia. “Por isso, realizamos uma pesquisa exclusiva, que nos trouxe dados valiosos sobre o nível de maturidade tecnológica, as principais áreas de aplicação e os investimentos previstos nos próximos anos. Essa iniciativa reforça nosso papel como plataforma estratégica de conexão, geração de conhecimento e fomento à inovação, ajudando empresas de todos os portes a se prepararem para esse novo cenário tecnológico”.
 
 
O levantamento da Fispal aponta que uma grande parte do mercado pretende investir só em tecnologia de 100 mil até um milhão nos próximos anos – vale lembrar que o mercado movimentou R$ 1,2 trilhão em 2024, segundo a ABIA – Associação Brasileira da Indústria de Alimentos, e os investimentos previstos refletem o interesse por modernização, eficiência e inovação.

Marina aponta que a intenção de investimento vem crescendo ano a ano, especialmente em tecnologias que impulsionam a produtividade e a sustentabilidade. Um bom exemplo foi o debate sobre Inteligência Artificial durante o Congresso Fispal Tec, que reuniu grandes indústrias como BRF, M. Dias Branco e Festo para discutir como automação e IA estão sendo adotadas para enfrentar gargalos como a escassez de mão de obra. Fica evidente que os empresários estão dispostos a investir para manter a competitividade, seja em automação, digitalização, novas embalagens ou práticas sustentáveis.

“A cada edição, a Fispal Tecnologia estrutura uma programação robusta para apoiar o setor a enfrentar seus principais desafios. Em 2025, escolhemos como tema central do Congresso Fispal Tec “O Novo DNA da Indústria Alimentar”. O evento reuniu especialistas, executivos e líderes de inovação para discutir temas como automação, economia circular, sustentabilidade, segurança alimentar, eficiência energética, gestão ESG, indústria 4.0 e transformação nas relações de trabalho. E para facilitar a visitação de micro e pequenas indústrias de alimentos e bebidas - que representam 95% do mercado brasileiro - organizamos, pelo terceiro ano consecutivo, a Jornada da Pequena Indústria, uma ação pensada para impulsionar o desenvolvimento destas indústrias. O projeto teve o objetivo de potencializar a experiência desses visitantes. A novidade para este ano foi a parceria com o Instituto de Embalagens, que desenvolveu um tour guiado personalizado, baseado em uma pesquisa aprofundada das necessidades do mercado. Essa visita direcionada conectou os visitantes diretamente com expositores que oferecem soluções específicas para os desafios enfrentados por quem está começando ou quer expandir de forma competitiva”, destacou Marina.
 
 
 
 
 
 
 
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