Revista Controle & Instrumentação Edição nº 219 2016
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Cover Page
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Uma revolução com muitos nomes |
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A indústria de um modo geral tem sido desafiada pela
convergência dos sistemas de negócios e operacionais, de TI
com TA/TO, união cada vez mais ágil e que, quando bem sucedida,
fornece vantagem estratégica e melhor desempenho
em todos os níveis. Esses benefícios são notados nos ativos
físicos e são de responsabilidade muito diversa, dependendo
da visão e prioridades de cada empresa. Um levantamento
da ARC chegou a mostrar que as responsabilidades
não ficam muito claras, mas que o pessoal de engenharia
é normalmente apontado como responsável pela gestão de
dados e análises relativas ao imobilizado – mas nem sempre
é incluído nos ajustes da convergência. Então, para se alcançar
um modelo único de gestão de automação e operações
e tirar o máximo proveito da convergência, é preciso ir além
de simplesmente automatizar e integrar processos de produção,
fluxos de trabalho e processos de negócios.
Apesar do nome do programa alemão estar nas manchetes,
os fatores que formam essa versão estão presentes
por todo o mundo e originaram programas semelhantes
em diversos países.
A China abraçou o conceito de quarta revolução industrial
como parte de um plano de dez anos, denominado
China Manufacturing 2025 ou Made in China 2025,
iniciativa para atualizar de forma abrangente a indústria
chinesa e concentra-se em dez setores, incluindo máquinas
computadorizadas e robótica, equipamentos aeroespaciais,
carros de energia renovável e medicina. A China
já possui fábricas digitais e mesmo uma fábrica “não tripulada”,
da Changying Precision Technology, na cidade de
Dongguan, norte de Shenzhen, onde 600 trabalhadores
da linha de montagem foram substituídos por automação,
resultando numa redução de cinco vezes nos erros de fabricação
e um aumento da produção de mais de 250%.
A indústria de transformação é responsável por uma
grande parcela do PIB no Japão. Então, empresas, organizações
e governo, atentos à IoT e Digitalização da indústria
elaboraram sua Industrial Value Chain Initiative que
é um fórum para projetar uma nova sociedade através da
combinação de tecnologias de fabricação e de informação,
envolvendo as empresas de forma colaborativa para
aumentar sua competitividade, reduzir custos, aumentar
flexibilidade e conectar pequenos e médios fabricantes à
cadeia de suprimentos de forma ordenada e digitalizada.
O programa “Made in India” foi lançado pelo primeiro-
ministro Narendra Modi em 25 de setembro de
2014 e promove o crescimento da indústria de manufatura
da Índia com novas tecnologias em fabricação, cidades
inteligentes, e infraestrutura como parte da iniciativa
Digital India do país.
A Smart Manufacturing Leadership Coalition
(SMLC) foi fundada nos EUA para superar os custos e
riscos associados à comercialização de sistemas de fabricação
inteligentes. A iniciativa não abraça o nome Indústria
4.0, mas sua visão e conceitos. A SMLC quer liderar
a transformação do setor industrial para um ambiente
orientada por TI para otimizar os sistemas de produção e
cadeias de valor e melhorar radicalmente a sustentabilidade,
produtividade, inovação e serviço ao cliente.
Manufacturing Industry Innovation 3.0 é o programa
coreano que engloba os mesmos princípios de IoT e digitalização
que formam o conceito de uma fábrica inteligente que na
Coreia abraça automação, troca de dados e TI e tecnologias
de fabricação avançadas. A Manufacturing Industry Innovation
3.0 é um componente do projeto Creative Economy Industry
Engine, que faz parte da política econômica do atual governo
para enfrentar os muitos desafios que cercam a indústria
de fabricação coreana. Entre os muitos objetivos, o programa
deve levantar dez mil fábricas inteligentes até 2020.
O termo Indústria 4.0 surgiu na Alemanha em 2011 e
fundamenta-se na conectividade das máquinas, sistemas e
ativos, onde as redes inteligentes ao longo de toda a cadeia
de valor podem controlar os módulos da produção de forma
autônoma. Já em abril de 2013 foram divulgadas na feira
de Hannover aplicações fundamentadas dentro desse conceito,
que mostravam que conectando máquinas, sistemas
e ativos, as empresas poderiam criar redes inteligentes ao
longo de toda a cadeia de valor para controlar os módulos
da produção de forma autônoma. Isto sugere que as fábricas
inteligentes terão a capacidade e autonomia para agendar
manutenções, prever falhas nos processos e se adaptar aos
requisitos e mudanças não planejadas na produção.
De fato, as soluções inteligentes para análises industriais
oferecem novas oportunidades de melhoria e a IIoT
(Internet Industrial das Coisas) é o impulso que faltava
para essa convergência tecnológica acontecer de vez, de
forma harmonizada.
As ferramentas e os recursos tecnológicos para lidar
com o volume de dados crescente (gerados pelas redes
sociais, cloud e todos nichos possibilitados pela IoT) já
estão disponíveis. O Grupo Gartner chama a união destas
ferramentas de “Nexus das forças”: combina novas
plataformas de soluções e traz uma outra realidade para
o mundo moderno em que os sistemas computacionais
proporcionam uma inteligência avançada. Esta nova revolução
industrial gerada pelas as tendências tecnológicas
e combinadas com os sistemas ciber-físicos estão mudando
as pessoas, as empresas e a forma de fazer negócios. |
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Ricardo Alexandre Diogo, coordenador do curso de
engenharia de controle e automação da PUC PR define
esse movimento, essa Quarta Revolução Industrial, como
uma arquitetura que integra diversos aspectos da produção
e negócios que vão além da empresa. “Ou seja, eles englobam
toda a cadeia de suprimentos com dados em tempo
real para tomada de decisão, com o objetivo de melhorar a
eficiência de todo o sistema produtivo. Os sistemas não são
mais apenas automatizados e integrados; agora possuem
integração de diversos sistemas ciber físicos, compostos
pela IIoT, Cloud e Fog Computing, Big Data, Cybersecurity,
Simulação, Realizada Aumentada, Manufatura Aditiva, Robôs
Colaborativos e Autônomos”.
A robótica e seus correlatos estão mudando a manufatura
no mundo todo há algum tempo. Segundo o IDC,
até 2019, esse deve ser um mercado de US$135 bilhões.
A capacidade da robótica continua crescendo e norteando
investimentos fazendo com que os custos de sua aplicação
caiam. E essas aplicações já contam com normas
ANSI e ISO – o que pede aos fabricantes e integradores
atenção. Nos EUA por exemplo, já chama a atenção a
ANSI/RIA R15.06:2012, sobre segurança para robôs e sistemas
robotizados. No Brasil, a NR-12 ainda trata robôs
tradicionais da mesma maneira que os colaborativos – que
são sensíveis à presença humana. Ressalte-se que, quando
seguindo as orientações da ISO/TS 15066, os sistemas
robóticos colaborativos utilizam limites de força e energia,
com monitoramento de velocidade e posicionamento.
Eles seguem otimizando suas funções e cuidados, com
possibilidade de, num futuro não tão longínquo, serem
inteligentes, mais sensíveis e capazes. E, na Era Industrial
Internet of Things – IIoT, com o uso de Ethernet, sistemas
poderão se conectar facilmente uns aos outros, fazendo
com que os robôs possam realizar tarefas pré-programadas
e aprender com elas – e com experiências de outros
robôs e sistemas. As aplicações que já têm tirado proveito
da robótica são a montagem de carrocerias na indústria
automobilística e a indústria de embalagens. |
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E tantas possibilidades geram boas perspectivas, e
um certo receio: as máquinas vão tirar nossos empregos?
É o começo da Skynet (do filme Exterminador do Futuro)?
Respondendo honestamente, basta lembrar que por
aqui ainda existem os técnicos medidores de consumo de
energia nas residências; em muitos locais, onde o smart
grid já é realidade, essa é uma profissão que não existe
mais. Assusta, mas ninguém sente falta das telefonistas,
por exemplo. A Associated Press constatou que os postos
de trabalho que mais têm sido afetados pela tecnologia
são os de nível médio, mas a pergunta a ser feita é: posso ser substituído facilmente por um robô ou por um software?
Claro que essa e qualquer outra tecnologia também
criam postos de trabalho, mas em número muito menor,
insignificante frente à extinção que provocam. E então o
ser humano terá que cuidar do ser humano. Porque já
estamos a meio corpo nessa nova Era, onde os drivers
são o Big Data, a Computação em Nuvem e as Máquinas
Inteligentes.
“O grande desafio para todas as indústrias
é produzir mais e melhor com
alocação de menos recursos, tornando-se
mais eficiente nos diferentes âmbitos do
seu processo produtivo, inclusive segurança
e impacto ambiental. Na Alemanha
estima-se que a indústria 4.0 com todo
potencial das tecnologias envolvidas é capaz
de gerar um incremento de 30% na
produtividade das empresas que adotarem
suas melhores práticas. Indústria 4.0,
Manufatura Avançada, ou qualquer outro
programa, são sinônimos da evolução da
produção automatizada não tendo como
objetivo principal a substituição dos humanos,
mas com uma inflexão maior na produtividade. Esse
processo evolutivo não é mais apenas visionário, é realístico
e com um alto potencial para alcançar resultados. Ele
ganha força ao envolver pessoas com ideias inovadoras
para sua implementação objetivando uma produção mais
eficiente. Um dos pontos já claramente definido é que
sensores estarão envolvidos em cada estágio de produção,
monitorando as variáveis do processo fornecendo
os dados assim como o feed back que são exigidos pelos
sistemas de controles. Neste ponto, a Wika é um parceiro
confiável para o fornecimento de uma gama completa
de instrumentos para medição, de pressão, temperatura,
nível, vazão e força. Muitas das técnicas e tecnologias necessárias
à implantação do 4.0 já existem atualmente e virão
outras que já estão em desenvolvimento. Hoje o nosso
grande desafio é agregar e acompanhar
a evolução de tudo isso em condição de
começar a fazer acontecer”, afirma Carlos
Guapyassu, diretor da Wika no Brasil.
É fato: as máquinas estão mais inteligentes,
com interfaces mais que fáceis,
confortáveis de usar. Isso somado às pressões
econômicas da recessão que se arrasta
desde 2008, montou o cenário perfeito
para corte de pessoal sem perda de eficiência.
Não há como se opor à tecnologia.
John Chambers, CEO da Cisco até
2015, afirmou que não estamos competindo
com outras empresas, estamos competindo
com mercados em transição. Boa
definição para o atual momento, onde
velocidade e custo de inovação pressionam mais a cada
ano, transformando nossa forma de viver, nossos hábitos de
consumo e formas de nos relacionarmos com as empresas.
“As empresas que não estão conseguindo se transformar
para acompanhar estas mudanças estão condenadas a desaparecer.
Segundo o Global Center for Digital Transformation,
quatro em cada dez empresas líderes de seu mercado
de atuação deverão desaparecer nos próximos cinco anos. |
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Um requisito imperativo para a indústria 4.0 é o fornecimento
de todas as informações em tempo real. Isto é
possível através da conexão e comunicação em rede dos
sensores de medição. A Wika se dedica ao desenvolvimento
e produção de sensores para medição de pressão,
temperatura, nível, vazão e força para aplicações industriais
ou de processos. E já oferece produtos orientados
para implementação de solução para a indústria 4.0.
Com o sinal de saída (opcional) em conformidade com o
padrão de comunicação IO-Link V. 1.1 é permitida uma
rápida integração em modernos sistemas de automação.
A comunicação IO-Link oferece montagem e configuração
ainda mais rápidas, e também pode ser acrescentada
melhor funcionalidade.
O design e funcionalidade da família de chaves
eletrônicas da Wika foram premiados com o iF Product
Award 2009 tendo como objeto o modelo PSD-30 –
pressão. A navegação do menu está em conformidade
com os padrões mais recentes da VDMA para sensores
de fluidos com objetivo de simplificar sua aplicação,
padronizando a navegação e o display. Durante as etapas
do desenvolvimento dessa família de produtos uma
grande ênfase foi dedicada ao design robusto e à seleção
de materiais adequados à maioria das aplicações
industriais.
Com a opção de IO-Link V.1.1 pode-se habilitar
os instrumentos de medição de pressão e temperatura
para uma aplicação de modo ainda mais eficiente. Com
a interface IO-Link V. 1.1, os instrumentos comunicamse
com o mestre através de uma conexão ponto a ponto.
Todos os parâmetros, dados de processo e informação de
diagnóstico são transmitidos pelo cabo de conexão. Os
parâmetros do instrumento ficam armazenados no mestre
e podem ser alterados durante a operação. Quando
um instrumento for substituído, suas configurações armazenadas
serão recuperadas do mestre através do IO-Link
(V.1.1). Assim não há necessidade dos trabalhos de uma
configuração inicial do novo instrumento. O IO-Link fortalece
a alta funcionalidade e a fácil aplicação dos instrumentos
Wika, aliado ao design robusto e invólucro de
alta proteção, sendo adequados para uma ampla gama
de ambientes industriais. |
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Por outro lado, as chamadas Empresas
Digitais que vem conseguindo sucesso
neste desafio de digitalização de sua
cadeia de valor, atingem um valor de
mercado em média 12% superior a
seus competidores”, afirma Severiano
Leão Macedo Junior, responsável
por IoT PSS na Cisco o Brasil.
Há muito em jogo nessa (R )evolução
industrial. Você tem uma estratégia para entrar?
Suas habilidades digitais estão preparadas para atender
seu mercado? Você sabe por onde começar?
O modelo das Cinco Forças de Porter, concebido por
Michael Porter, foi publicado no artigo “As cinco forças
competitivas que moldam a estratégia”, em 1979, na Harvard
Business Review e analisa a competição entre empresas.
Considera cinco “forças” competitivas que devem
ser estudadas para que se possa desenvolver uma estratégia
empresarial eficiente, porque afetam a capacidade
de uma empresa servir seus clientes e obter lucros. Uma
mudança em qualquer uma das forças normalmente requer
reavaliar o mercado e o negócio.
Antes, a dificuldade do entrante no mercado, segundo
Porter, era romper a barreira de entrada; hoje, a
tecnologia derruba essa barreira e o entrante passa a ter
tanto poder quanto aquele que está no mercado há tempos.
Então é preciso entender a motivação econômica do
impacto da tecnologia nos negócios. Por isso as consultorias
de gestão estão falando tanto de digitalização; porque
hoje você destrói negócios muito rápido com a tecnologia.
E é senso comum entre as consultorias que, ou você
faz uma transformação digital ou vira a próxima Kodak* da
história – e ela foi pioneira, inclusive em foto digital, mas
não conseguiu se posicionar adequadamente, nem usar
toda a tecnologia e tendências. |
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| * Devido à queda nas vendas de seus produtos, causada
pela ascensão da fotografia digital, a Kodak precisou
se reinventar e, hoje, apesar de trabalhar no desenvolvimento
de novas tecnologias para tintas especiais, de impressão,
sensores óticos e telas sensíveis ao toque mais
baratas, a empresa não tem força para lançar produto
com marca própria. A queda foi de 96% desde 2007. |
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Digitalização é uma palavra que traz embutido um
mundo de definições e possibilidades e pode ser diferente
no mundo de processo e na manufatura. “Uma automobilística
hoje já vive a Indústria 4.0 e a Divisão Factory
Automation da Siemens encontra maior receptividade na
incorporação dos novos conceitos; o que precisamos é
abordar no mundo de processo a plataforma que já está
desenvolvida - e queremos passar essa mensagem porque
a plataforma que a Siemens desenvolve se aplica ali
também, e está sempre em evolução contínua porque é
muito software, é sempre atualizada”,
afirma Giovanino di Niro, gerente de
área de negócios da Siemens, lembrando
que a integração com o mundo
digital é algo sem volta.
Hoje, numa empresa como a
Huawei por exemplo, pode-se chegar
ao nível de saber, on line, o que um
dos milhares colaboradores está fazendo em qualquer um
dos sites da empresa no mundo.
“A capacidade de processamento de um celular, de
um computador, de um instrumento hoje abre a possibilidade
de tratativa de dados e utilização de uma série de recursos
para todo mundo, o que faz com que se tenha que
trabalhar em cima do conceito de inovação disruptiva.
Porque, com a tecnologia que se tem hoje, uma pessoa
pode criar uma aplicação e tirar o mercado de concorrentes
que têm décadas de experiência. A inovação agora
é exponencial. A capacidade de inovação dá capacidade
ao computador que dá capacidade de
mudança e mudar hoje ficou barato,
em relação ao que era antigamente.
Mas para isso é preciso integrar, não
tem outro jeito” diz Carlos Fernando
Albuquerque, gerente de mercados
verticais – química, farmacêutica, alimentos
e bebidas – da Siemens.
“A indústria brasileira precisa usar mais a digitalização,
ainda que algumas áreas estejam extremamente
avançadas nesse campo. Não creio que este quadro destoe
do que acontece em países desenvolvidos: indústrias
de diversos setores vão estar em diferentes momentos de
automação e digitalização, em função das oportunidades
dos mercados onde operam. As menos preparadas
terão que apressar o passo ou correrão o risco de acabar.
As mais avançadas avançarão ainda mais. E todo mundo
pode evoluir, mas pouco tem sido feito. O grande desafio
para a indústria é decidir por onde começar. E isso é a estratégia
de negócio de cada empresa, sendo que ninguém
além dela pode responder. O que a gente faz é tentar
informar, da melhor maneira possível, o atual estágio da
tecnologia, sinalizar as tendências mais próximas e deixar
que o mercado use isso no seu planejamento estratégico.
O Studio 5000 é nosso software para nossa plataforma de
controle. Para qualquer usuário da Rockwell Automation,
ele é fundamental. Trata-se de uma ferramenta de engenharia
com interface aberta para CAD e simulação, com
toda a segurança e mantendo registros, que traz imensos
benefícios, mas associados apenas à nossa plataforma de
automação. Quem usa, hoje, pode agregar elementos de
desenho, projeto e simulação digitais à tarefa de programação.
Assim, essa tarefa fica mais completa e fácil na
plataforma de controle Rockwell Automation permitindo a elaboração de novas bibliotecas
para agregar às já existentes,
fazendo com que o esforço de
lógica possa ser compartilhado e
o investimento em engenharia otimizado”,
comenta Sérgio Gama,
diretor global de Desenvolvimento
de Negócios da Rockwell
Automation.
“Não me considero um especialista no assunto, mas
chama a minha atenção quando observo que na Alemanha
existe um grande esforço de empresas, governo e
sociedades em prol de um objetivo comum de estarem
preparados e capacitados para fazer acontecer essa transformação.
Considero que o Brasil está muito atrasado. No
Brasil, existem iniciativas de algumas empresas e associações
realizando um grande esforço de divulgação, mas
ainda sem um trabalho integrado em prol de um objetivo
comum, o que acaba diluindo o esforço, principalmente
para preparação das partes interessadas para essa nova
realidade. A superação de paradigmas e formação de
mão de obra qualificada e multidisciplinar são elementos
fundamentais não apenas para adotar e assimilar a
tecnologia, mas também para sermos capazes de propor
inovações e assegurar a sua evolução contínua. Temos um
grande trabalho e desafios à frente até que todos os padrões
sejam desenvolvidos e adotados, todas as questões
legais e de segurança sejam solucionadas e todos os componentes
sejam disponíveis, para atuarem conjuntamente
sem problemas”, pontua Carlos Guapyassu.
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Giovanino ressalta que a inovação é peça fundamental
para o desenvolvimento dos países e indústrias,
e as empresas que não acompanharem este processo
podem comprometer a performance e liderança dos
negócios. As empresas precisam de competitividade,
produtividade, segurança, lançamento de novos produtos
com rapidez e cuidados com o meio ambiente.
Então, para não se perder nesse caminho, cada vez mais
precisam de sistemas de controle digitais, integrados, e
demandam suporte de um fornecedor que tenha experiência
suficiente para integrar tudo de forma modular,
considerando o curto e o longo prazo. E ainda que o investimento
de hoje não estará obsoleto depois de amanhã.
Isso significa buscar uma plataforma de automação
de processo totalmente integrada e baseada em fortes
investimentos em P&D.
“Hoje se fala de hardware com robustez, softwares
integrados (seamless) sem costura entre partes, e isto significa
considerar todos os níveis de integração desde a
instrumentação, CLPs, Sistemas de Controle de Processo,
Engenharia e Manutenção Digital Integrada, Sistemas de
Execução de Manufatura e Inteligência do Negócio. Não
sei se existirão produtos ou marcas que vão dominar este
mercado, mas com certeza as empresas com foco em inovação
tendem a liderança do negócio no setor em que
atuam”, comenta Giovanino.
O conceito se materializa facilmente: um dos exemplos
é a manutenção digital que é fundamental, desde
o controle de peças sobressalentes e alterações em sistemas
existentes até as intervenções técnicas, para não
gerar paradas de produção não programadas, e fazer isto
de maneira convencional ou manual não é mais viável,
considerando os quesitos complexidade da indústria de
processo e exigências de produtividade e competitividade
cada vez maiores no mercado.
E a melhor escolha é pela operação/manutenção integrada
e digital porque ela permite reduzir custos. E de
forma on line sabemos o que está acontecendo, onde,
porquê e, se precisar, as decisões e intervenções também
são rápidas e precisas – o que leva a uma melhor performance
do negócio como um todo e, consequentemente,
a melhores resultados para CEOs e CFOs. Mas é preciso
ter uma estratégia e a plataforma tecnológica adequada,
assim como um planejamento para implementá-la. Não
há outro caminho: isso exige decisões estratégicas rumo a
inovação – no cliente e no fornecedor. E também demanda
escala por parte dos fornecedores.
E isso tudo deve ser pensado dentro do conceito de
globalização e digitalização: pode-se comprar em qualquer
lugar – com a segurança de manter tudo conectado
localmente e globalmente com alta performance. Novamente
a importância da escolha de uma plataforma tecnológica
integrada.
Para ter acesso ao mundo digital é preciso conectar
as partes da empresa. Então, é fundamental a participação
e colaboração de todos os níveis do negócio para a definição
das reais necessidades e assim harmonizar a compra,
o investimento, em rumo à digitalização e orientá-los à
Indústria 4.0. Por outro lado, a implementação por módulos
e baseado em um plano diretor de automação e
digitalização considerando as camadas das industrias de
processo desde a instrumentação até a inteligência do negócio
é o fator fundamental para obter-se o melhor retorno
do investimento. |
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Para Nilson Rana, diretor da Metrovale
e da ISA seção Vale do Paraíba,
“a visão da Indústria 4.0 é significativamente
maior em produtividade,
eficiência e processos de produção de
autogestão, onde as pessoas, máquinas,
equipamentos, sistemas de logística, e
processos se comunicam diretamente
entre si, gerando sem dúvida uma maior sustentabilidade
a todo o processo. Proporciona maior autonomia à
produção por meio da conectividade e de estações da
conectividade e de estações de controle unificadas para
os processos, gerando maior agilidade e menos custos
produtivos. E os clientes já vivem isso em partes: podem
escolher as especificações e fechar seus pedidos pela internet.
Os dados são enviados diretamente para as máquinas,
que recebem e enviam informações em tempo
real para o sistema. Os controles permitem que as máquinas
produzam em grande escala produtos altamente
customizados, com menor prazo de entrega”.
Quarta Revolução Industrial é um termo que engloba
algumas tecnologias para automação e troca de dados e
utiliza conceitos de sistemas ciber-físicos, IoT e Computação
em Nuvem. Facilita a visão e a execução de fábricas
inteligentes com as suas estruturas modulares, onde os sistemas
cyber físicos monitoram os processos e criam uma
cópia virtual do mundo físico, tomando decisões descentralizadas.
“Com a IoT, os sistemas cyber físicos comunicam
e cooperam entre si e com os humanos em tempo real,
e através da computação em nuvem, ambos os serviços
internos e intra-organizacionais são oferecidos e utilizados
pelos participantes da cadeia de valor. Muitos fornecedores
estão desenvolvendo e implantando novas soluções industriais
em IIoT e estão melhorando o desempenho, reduzindo
custos operacionais e aumentando a confiabilidade. A
Yokogawa, através do programa Vigilant Plant, enfatiza a
segurança e as operações ininterruptas que fornecem uma
base sólida para a IIoT e, para ser capaz de fornecer uma
base igualmente sólida no lado TI
dessa Revolução, a Yokogawa firmou
parceria com a Cisco Systems e outros
líderes da indústria, alavancando
seus pontos fortes em automação
industrial e agregando os da Cisco na
mesma infraestrutura – que incluem
segurança cibernética incorporada a
capacidade de conectar/acessar por
controle remoto/local, aplicações de
IoT e inovações,” conta Cassius Barros, supervisor de
PMK da Yokogawa.
“Hoje somos rodeados por tecnologias que facilitam
nosso cotidiano e a indústria anseia pela disponibilização
de informações do chamado chão-de-fábrica a todo tempo
e em todo lugar visando uma tomada de decisão mais
rápida e mais assertiva. E a Quarta Revolução Industrial
é só a forma como denominamos o processo evolutivo
da incorporação de soluções da área de TI no meio industrial,
através de robôs automatizados, equipamentos
e sensores ativos e inteligentes promovendo a interação
entre si e com o ser humano. Ignorar tais tendências é
caminhar na contramão na evolução. E já que evolução
tecnológica e inovação é um dos valores da Novus,
voltamos esforços da equipe de P&D para soluções direcionadas
ao avanço da IIoT, buscando sempre a melhoria
continua para processos e, por
conseguinte, promover benefícios à
sociedade”, comenta Denis Willian
Felix de Souza, consultor de Aplicação
da Novus, para quem ainda
seria preciso tratar, globalmente, da
padronização de protocolos de comunicação,
implantação do iPV6, e
no Brasil evoluir as condições básicas
que permitam suportar a implantação da IIoT de forma
abrangente como infraestrutura e velocidade do acesso à
internet banda larga fixa, móvel e sua tarifação, custo de
energia elétrica que acabam por frear esse processo.
“Do ponto de vista da evolução dos processos produtivos,
sempre se buscou uma forma de equacionarmos
o problema da escala: produzir mais para atender um
mercado crescente, mundialmente. Esta questão, a da
escala, foi resolvida e, atualmente, produzimos quantidades
enormes de várias coisas – carros, celulares, roupas,
alimentos, etc. Uma tendência recente é a produção em
massa de itens personalizados, ou seja, a massificação da
personalização e isso demanda um sistema de produção
capaz de adaptar-se a cada novo produto produzido, pois
ao invés de produzirmos centenas de carros iguais, por dia,
a mesma planta deverá ser capaz de produzir as mesmas
centenas de carros – cada um com sua personalização –
no mesmo tempo e com melhor utilização de recursos.
As tecnologias atuais, como
Internet das Coisas (IoT), Big
Data, Cyber Physical Systems
e outras, são os atores
dessa Quarta Revolução
Industrial. Porém, somente
elas, não bastam para atingirmos
a massificação da
personalização. É necessário
que ocorra uma mudança
na forma como se produz e,
consequentemente, como
se controla a produção”, comenta
Marcos Giorjiani, diretor da Beckhoff no Brasil.
Sob a ótica do usuário, integrar a planta toda faz com
que ele ganhe flexibilidade, agilidade e visibilidade para
aumentar a produção.
“Um dos maiores desafios é o de conectar a atual base
instalada junto aos diversos sistemas existentes, gerenciando
ao gigantesco banco de dados gerados nos processos
produtivos. Com o avanço da tecnologia, já é uma realidade
a implementação da IIoT/Indústria 4.0 com o uso equipamentos
de Edge Computing, interfaceando os ambientes
de TA e TI e o uso de ferramentas de “Big Data Analytics”,
pois apenas gerar e enviar uma enorme quantidade de dados
para os sistemas de TI de nada servem sem o uso de
softwares de análise de dados. A Mitsubishi Electric entende
que a busca pelo aumento de eficiência da manufatura
é um processo de aprendizado e, em 2003, lançou o
conceito de e-F@ctory com o objetivo de
maximizar o uso dos dados de chão de fábrica
devido ao aumento de complexidade
das demandas de manufatura”, afirma
Hélio Sugimura, gerente de marketing
da divisão de automação industrial da
Mitsubishi Electric do Brasil.
“Mas o usuário vai ter graus de produtividade
e flexibilidade dependendo de onde começa
a integração da planta. É preciso ter todas as camadas conectadas
para ter o que chamamos de planta digitalizada.
E essa planta permite que o CEO possa tomar decisões
como se compra ou vende energia elétrica como um processo
acessório à produção; quão eficiente
é o fornecedor da manutenção;
fecho a planta? Mas como decidir se não
se souber o que está acontecendo, a que
custos, e se isso pode ser melhorado ou
não, ” explica Carlos Campos, desenvolvedor
de negócios de Siemens.
A IoT se aplica de maneira diferente
na indústria de processo, na de manufatura e em serviços.
É uma (R)evolução natural do uso das tecnologias. A maior
diferença é que na indústria de processo não se pode jogar
tudo fora; uma unidade nova ou um entrante sem base
instalada podem fazer o que quiserem, mas não é o que
acontece na maioria dos casos. É preciso ter um caminho
evolutivo com resultados disruptivos ou seja: como capitalizar
tudo o que já foi investido, mas ter ganhos muito
maiores e ser mais competitivo? No greenfield é mais fácil
porque não existem condições de controle legadas, mas a
maior parte do mundo é brownfield; vai jogar tudo fora?
Em outras áreas da vida já estamos jogando fora: a troca
de celulares, de computadores, etc. Mas continua sendo
uma questão monetária, fruto de uma operação simples:
o tempo que se vai gastar para ter aquele ganho em relação
ao quanto é viável investir. É preciso se acostumar ao
pensamento digital: tudo é economia. Até a Microsoft sabe
que o modelo de vender caixinha de software acabou: só
é preciso um clique para atualizar automaticamente o software
hoje. O software é o meio, então tem que ser imperceptível.
Isso existia há 30 anos quando os mainframes
da IBM já tinham autodiagnóstico que avisavam o técnico
para ir até o banco atualizar ou consertar alguma coisa.
Isso só era possível antes numa máquina caríssima; hoje é
possível para qualquer celular. Imagine o poder de escala
desse tipo de serviço para qualquer dispositivo! O chip é
muito barato comparado com o elemento sensor.
No mundo do processo não se pode parar a produção,
as dimensões das ações são muito diferentes; na manufatura
o foco está no produto. A integração de fábricas
desses mundos tão diferentes é algo que deve ser muito
pensado; é preciso cautela e uma plataforma tecnológica
que inclua todas essas visões. Mas vale sempre que a compra
de automação e eletrificação precisa estar alinhada tecnologicamente
à estratégia IoT da empresa. Qual protocolo
de comunicação escolher perde um pouco a relevância
porque o mundo é Ethernet e isso significa que já estão
padronizadas várias camadas do modelo OSI: a questão
real é o que se vai usar em conjunto com OPC UA.
Mas Carlos Fernando lembra que para que os instrumentos
da planta sejam visíveis, é preciso que estejam
aptos a publicar a informação necessária de maneira automática
no sistema. E o caminho mais simples para isso é via
OPC UA – que não por acaso é base do FDI (EDDL+FDT).
E essas tecnologias trabalhando juntas permitem a digitalização
sem ter que engenheirar o gerenciamento de ativos
distribuído. Só que isso vai ser mais fácil para uns que para
outros, dependendo da tecnologia que escolheram. Por
exemplo, um instrumento Profinet, que já tem OPC UA
e webserver, só precisa do FDI que vai reconhecer tudo
automaticamente pois a estrutura de comunicação já está
resolvida, só falta resolver a camada lógica. Então a hora
agora é de escolher a plataforma tecnológica, como nos
celulares, onde se escolhe entre IOs ou Android.
A plataforma é importante, mas sem um sistema totalmente
integrado é preciso fazer toda a configuração de alarmes e diagnósticos manualmente, por exemplo, e precisa-se
configurar as interfaces via OPC para obter as mesmas funcionalidades,
com muito mais esforços e gasto de tempo de
engenharia e maior possibilidades de falhas e erros, aumentando
assim o tempo e gasto de projetos de automação.
A aplicação da Siemens na BMW, já nos anos 90, talvez
explique um pouco o avanço rápido na parte discreta de
automação porque, enquanto as atualizações de automação
em plantas de processo geralmente acontecem em múltiplos
de 5 ou 10 anos, numa área discreta isso é muito mais rápido,
em especial numa automobilística, com a renovação de
modelos praticamente anuais. O ritmo de atualização nessa
indústria é muito mais acelerado, então é possível introduzir
muito mais rapidamente inovações. As atualizações são pensadas
em paralelo à produção e os benefícios da simulação
se tornam óbvios aí porque as mudanças podem ser idealizadas,
testadas e corrigidas no nível de detalhe virtualmente.
Muitos fabricantes de máquinas e engenharias já trabalham
hoje com simulações e o conceito do comissionamento virtual.
A partir do TIA Portal V14 terá uma integração direta
entre automação e Process Simulate da PLM por meio da
funcionalidade de CLPs virtuais, PLCSim Advanced, permitindo
a simulação de arquiteturas multi-CPU em rede e
interagindo com modelos mecânicos virtuais. O uso destes
conceitos pode reduzir o tempo de instalação e comissionamento
em mais de 30%, por exemplo.
Mas isso não é realidade apenas nas automobilísticas.
A premiada fábrica de Amberg da Siemens já utiliza os conceitos
do TIA e da Digitalização. “Usamos nas nossas próprias
fábricas o que oferecemos ao mercado, tanto de hardware
quanto de software. Hoje fornecemos plataformas
de software padronizadas para que outras empresas não
precisem desenvolver tudo; qualquer
empresa pode utilizar o conhecimento
e expertise da Siemens para aplicar as
boas práticas que outras indústrias vêm
utilizando há algum tempo”, comenta
Robert Gries, gerente da área de negócios
da Siemens e presidente da Associação
Profibus no Brasil.
“A Beckhoff, a cada sistema fornecido, está preparando
a indústria para esta realidade. No Brasil, desde 2004 vem
mostrando essa capacidade de integrar sistemas de automação
com sistemas MES/ERP de forma extremamente rápida,
com reduzidíssimo custo com engenharia e hardware. A automação
de máquinas e processos com a tecnologia de controle
no PC, defendida pela Beckhoff há mais de 30 anos,
é o caminho certo para atingir a flexibilização da produção
com redução de custos e recursos da maneira mais rápida
possível”, comenta Marcus Giorjiani, da Beckhoff.
“Temos um histórico longo de digitalização na manufatura,
que começou com o TIA em meados dos anos
90. A partir daquele momento a Siemens trabalhava com
o conceito de arquitetura totalmente integrada de automação
para unificar numa plataforma única todas as disciplinas
de automação. Este conceito é hoje a base para a
digitalização, proporcionando uma integração fácil do fluxo
de dados de todas as disciplinas dentro do life cycle dos
produtos e do life cycle da produção destes produtos. A
Siemens está constantemente ampliando o escopo do TIA.
Por exemplo, a nova versão do TIA Portal V14 integra com
o Energy Suite dados de eficiência energética, com o gateway
de Teamcenter se abre a possibilidade de aproveitar
dados de PLM diretamente no projeto de automação, além
do que o Portal Cloud Connector possibilitará novos modelos
de engenharia descentralizada e até novos conceitos de
negócios para fabricantes de máquinas. A geração automática
de telas de IHM a partir do código do CLP com SiVArc
e a diagnose eficiente de falhas via o sistema ProDiag por
meio da criação automática de dados e visualizações de
monitoramento são outros destaques da plataforma integrada
TIA Portal V14”, explica Robert Gries.
Hoje é preciso trabalhar com ferramentas padronizadas
e abertas, porque as customizadas pedem constantes reengenharias
para qualquer nova aplicação ou interfaceamento.
Padronização tem sustentabilidade na solução. Na maioria
das plantas industriais, já existe uma variedade de bases
instaladas de vários fabricantes. Robert lembra que Profibus
ajuda muito na digitalização neste contexto porque a
maioria dos dispositivos que se comunicam nessa tecnologia
também já vem com interface Ethernet. Na manufatura, este
é um processo que começou nos anos 2000 e, hoje, praticamente
todas as aplicações incluem a comunicação Profinet
ou algum outro tipo de Ethernet Industrial. “No mundo
digitalizado o uso de protocolos como Profinet ou OPC UA
vai se intensificar certamente, o que vai proporcionar ganhos
significativos de eficiência na engenharia, evitar erros e aumentar
a qualidade do processo de engenharia e produção
como um todo”, diz Robert, executivo da Siemens.
“A Beckhoff desenvolve e comercializa sistemas de automação
com a tecnologia de controle baseada em PC. Este
hardware padrão possuí atualmente uma enorme capacidade
computacional e é a ferramenta onde são executados
todos os softwares necessários para o gerenciamento de
todo o ciclo de vida de um produto. Além do mais, este é
o hardware que integra os mundos da Tecnologia da Informação
com a Tecnologia de Automação. Assim, sistemas,
processos e máquinas automatizados com a tecnologia de
controle baseada em PC são imediatamente integradas nos
atuais sistemas MES/ERP e podem disponibilizar suas informações
diretamente para uma nuvem (pública ou Privada),
eliminando a necessidade de hardwares adicionais com arquitetura
fechada. Essa capacidade de comunicação, tanto
vertical (Máquina – Nuvem), quanto horizontal (Máquina
– Máquina), é o requisito fundamental para implantação
de sistemas inteligentes de controle de produção” pontuaMarcos Giorjiani, apontando um outro caminho, forte na
manufatura, mas também possível para processos. |
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Qualquer caminho escolhido, no mundo digitalizado, é
importante planejar e mudar o comportamento de compras
porque simplesmente otimizar os custos pontualmente pode
aumentar o custo total do projeto e da operação ao longo do
ciclo de vida inteiro. Talvez em alguma parte do projeto, se
precise de um investimento maior para ter um ganho no total
cost of ownership e ganhar na eficiência do projeto inteiro.
Por isso, a engenharia tende a ganhar mais poder e influência
na definição dos projetos. Antigamente, se planejavam os projetos
dentro de escopos isolados; hoje, é preciso ter uma visão
mais ampla e holística. A multidisciplinaridade vai começar
no projeto do produto para que se aproveite melhor os vários
aspectos da digitalização: talvez seja fundamental saber a ergonomia
dos espaços de trabalho na linha de produção numa
automobilística, como por exemplo, determinar a altura dos
trabalhadores num determinado ponto da montagem; em
outras empresas talvez seja mais importante usar a imagem da
planta digital para apoiar e planejar melhor as manutenções e
ampliações das linhas de produção.
“Dentre as adequações estruturais, a indústria inevitavelmente
precisará atualizar os equipamentos cujo funcionamento
dependa em sua totalidade da intervenção humana.
Nesse momento o melhor será optar por soluções que
permitam a comunicação entre sistemas ao invés de soluções
fechadas. Já os fornecedores precisarão investir no desenvolvimento
de sensores e equipamentos mais compactos
e inteligentes, softwares para a interpretação de tais dados e
também mudar seu conceito de negócio, atualmente muito
baseado na venda de produto (hardware) migrando para soluções
agregadas, de hardware associado a um serviço, pois a tendência é que o produto vire uma commodity de baixo
custo e venda se torne mais orientada ao fornecimento de
uma função/serviço na qual esta sim trará os benefícios ao
processo produtivo das indústrias. Quando falamos desta
evolução de sensores, máquinas e sistemas inteligente, sempre
haverá o questionamento da substituição de postos de
trabalho por um sistema inteligente. Acredito que algumas
habilidades como criatividade e comunicação devem ser
melhor desenvolvidas pelos profissionais para se adequarem
a estes novos tempos. Dentre as soluções já desenvolvidas
nossos dataloggers (Tagtemp-NFC e Fieldlogger) atualmente
possuem a possibilidade de se conectarem a plataforma em
nuvem (Novus Cloud) podendo os dados estar disponíveis
ao acesso através de smartphones, tablets, computadores e
qualquer outro dispositivo que disponha de interface para
navegação na internet. Essas soluções hoje se aplicam desde
a monitoração de dados da produção, utilidades da fábrica
à sistema de logística para o transporte de perecíveis e medicamentos”,
conta Denis.
“Existe um interesse muito grande pela digitalização,
principalmente pela fusão com as tecnologias de IoT e coisas
afins. Mas, o mais importante, o fator que pode fazer a
grande diferença para a indústria nacional está justamente
no fato de que a Indústria 4.0 trará a massificação da personalização
e se pensamos em empresas disponibilizando
um sistema de compras pela internet onde o consumidor
poderá personalizar seu produto, temos que pensar na produção
desse item personalizado muito próximo do consumidor
– porque não se personalizaria nada caso se tivesse
um prazo de entrega muito longo. A Beckhoff disponibiliza
tecnologias para atender aos requisitos de controle, dentro
do que se propõe a Indústria 4.0 e tem acompanhado essa
evolução, disponibilizando para o mercado o que há de
mais aberto e flexível no que diz respeito à tecnologia de
controle e automação”, comenta Giorjiani.
E essa é uma outra tendência que marca a Quarta Revolução
Industrial: trazer a produção para mais próximo do
consumidor. A integração da TI com a TA já é uma realidade,
portanto essa nova era tecnológica não será uma questão de
“caminho sem volta”, no sentido de ser forçado a utilizar
os recursos disponíveis, mas a flexibilização dos sistemas de
produção, a busca pelo uso racional de recursos e a melhoria
do ambiente de trabalho, coisas que irão acontecer
de forma natural, facilitado por toda a tecnologia disponível
atualmente. E a adequação para esta nova realidade nos fará
mais competitivos.
“A Siemens oferece uma amplitude de ferramentas
que abrange todas as necessidades e possibilidades para
projetos de greenfield ou brownfield, em indústrias de manufatura
e processo. Nós podemos ajudar nossos clientes a
focar nos aspectos relevantes para que eles possam atingir
os seus objetivos específicos de negócios, como time-tomarket,
eficiência energética, aumento de produtividade,
melhoria de qualidade, redução de custos, etc. Os especialistas
da Siemens desenvolvem em parceria com os clientes
os conceitos e soluções de como a digitalização possa ser
aproveitada a partir de uma análise e o entendimento dos
processos dos clientes para que eles possam atingir e superar
os seus objetivos em forma mais rápida e eficiente. A
utilização de ilhas de softwares diferentes e não integradas
pode gerar mais falhas e o usuário pode deixar de aproveitar
todos os benefícios, enquanto a ideia da Indústria Digital
da Siemens é de trabalhar com uma plataforma única e
dados integrados mantendo assim a consistência de dados
e consequentemente aumentando a produtividade acompanhado
por uma redução de custos.”, pontua Robert.
Hélio Sugimura ressalta que a melhoria de processos
produtivos não necessariamente envolve grandes investimentos,
mas sempre a mentalidade de que o objetivo é o
de aumentar a produtividade e qualidade, reduzir custos de
operação, reduzir as paradas inesperadas de produção. “A
IoT/Indústria 4.0 não é a solução em si, mas disponibilizar ferramentas
auxiliares para os pontos mencionados acima. No
Brasil temos falta de gente com qualificação técnica pois o
profissional precisa ter uma visão sistêmica do processo como
um todo, não só interno, mas também na cadeia de fornecedores
e clientes para aumento de eficiência, mantendo a
competitividade de sua indústria”.
“No Brasil, ainda não estamos preparados, mas com
certeza temos grande potencial para rapidamente assimilarmos
toda e qualquer tecnologia que possa enriquecer o
nosso processo industrial. Devemos iniciar um processo de
capacitação técnica e gerencial dos profissionais e adequação
das indústrias e existem vários meios para qualificá-los
e certificá-los adequadamente. Na minha opinião, um profissional
para viver essa nova revolução seria capacitado em
automação, instrumentação e TI”, comenta Rana.
“Neste momento de aumento do uso da Internet e de
sensores inteligentes, precisamos olhar para a frente e imaginarmos
a quantidade de informações que os dispositivos
podem transmitir a um custo incrivelmente baixo. Estas novas
possibilidades de comunicação vão impactar todas as empresas,
desde as grandes até as pequenas. É um caminho sem volta,
o mundo está cada vez mais digital e o brasileiro, que não
é conservador em tecnologia, vai aprender
rápido. Só precisa de condições mais favoráveis
de mercado para deslanchar. E o caminho
é o de sempre: divulgação e treinamento
de como projetar e usar”, pontua o professor
e consultor Augusto Passos Pereira.
Giorjiani reflete que, na realidade brasileira, fica claro
que essa nova era ocorrerá primeiramente nas grandes multinacionais,
que trarão essa realidade de suas matrizes. Mas
como as tecnologias estão disponíveis, empresas de médio e
pequeno portes migrarão para sistemas inteligentes de produção
aos poucos, mas com certeza seguirão o caminho em paralelo
à formação da mão de obra adequada. “Atualmente os
cursos de Engenharia de Automação incluem uma carga considerável
de TI. Todos os novos Engenheiros de Automação
estão inteirados das ferramentas de TI, tais como as linguagens
disponíveis na ferramenta Visual Studio, da Microsoft (o atual
front-end de programação do TwinCAT 3), bem como as ferramentas
MatLab e Simulink. Os protocolos de comunicação
como o OPC-UA – definido como o padrão na Indústria 4.0
– estão sendo cada vez mais difundidos e seu conhecimento
está amplamente disponível na Internet. Além disso, protocolos
“chão-de-fábrica” baseados em Internet, como o EtherCAT
– protocolo mais rápido do mercado – também estão sendo
muito bem divulgados. A cada dia os temas de IoT, IIot e etc
estarão disponíveis e serão absorvidos facilmente pelos profissionais
de automação. Com certeza universidades e cursos
técnicos incluirão, cada dia mais, em suas grades curriculares
os temas mencionados”.
O diretor regional do Senai de
Santa Catarina, Jefferson Gomes,
professor do Instituto de Tecnologia
Aeronáutica – ITA com pós-doutorado
na área de manufatura já reconheceu
que, para essa revolução realmente
acontecer, existem alguns obstáculos.
E os grandes entraves são infraestrutura e política de inovação.
“As análises da eficiência da inovação têm alguns pilares,
como infraestrutura básica, ambiente macroeconômico, qualidade
de educação e de saúde dos trabalhadores, grau de
formação e treinamento para os trabalhadores, eficiência do
mercado, desenvolvimento do mercado financeiro para que
se viabilizem os negócios. No Brasil, numa escala de zero a
sete dos relatórios de competitividade global, beiramos algo
por volta de 3,5 ou 4. O tamanho do mercado é enorme, o
que é algo positivo, mas em todos os outros quesitos, o Brasil
precisa caminhar. Outro ponto importante é que, definitivamente,
o Brasil não vai entrar nessa era tendo apenas 5% dos
egressos no ensino superior formados em engenharia. Engenheiro
aqui é um indivíduo com alta capacidade de conhecimento
sobre um determinado assunto e alta capacidade de
congregar conhecimentos com outros parceiros de trabalho.
O ambiente da indústria avançada é altamente complexo.
Há muitas variáveis atuando ao mesmo tempo: mercado,
demanda, competidores. Na prática, o jeito como estamos
formando pessoas para o mercado não está rendendo sucesso
para produtividade das empresas nem mesmo agora. Talvez a
gente não esteja olhando muito bem a qualidade da entrega
desses novos profissionais – engenheiros e técnicos. Essa qualidade
passa necessariamente pelo jeito como se forma”. |
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